Bolívia: morre mais um cocaleiro vítima do massacre de Sacaba - ComunicaSul - Comunicação Colaborativa

Ultimas

ad

Post Ads

11/06/2020

Bolívia: morre mais um cocaleiro vítima do massacre de Sacaba


Após mais de seis meses de agonia, faleceu nesta quinta-feira o cocaleiro Julio Pinto Mamani, uma das dezenas de feridos pela agressão do Exército e da polícia boliviana em Sacaba, próximo a Cochabamba, em 15 de novembro.

Leonardo Wexell Severo


Julio Pinto Mamani se encontrava em coma, resultado de um tiro que havia recebido na cabeça. A bala estava alojada em seu cérebro e necessitava de uma operação extremamente custosa, cirurgia que lhe foi negada pelo governo da autoproclamada presidenta Jeanine Áñez.
Vítima do terrorismo de Estado, o cocaleiro deixa órfãos cinco filhos - o menor com cinco anos - e a viúva Fortunata Romero, que comandou campanhas de arrecadação de fundos para sua sobrevivência, diante do completo abandono do governo.
O candidato do Movimento Ao Socialismo (MAS) à Presidência da Bolívia, Luis Arce Catacora, se solidarizou com a família de Mamani, assim como com as centenas de inocentes mortos, feridos ou torturados nos massacres de Sacaba e Senkata. “Não vamos esquecer. Justiça para as vítimas’”, conclamou Lus Arce.

Militares e policiais golpistas abriram fogo contra marcha pacífica de cocaleiros em defesa do governo de Evo Morales

Mamani pertencia ao Sindicato 2 de Junio Central Independiente do Trópico de Cochabamba e participou ativamente da campanha pelo regresso do presidente Evo Morales, destituído pelas Forças Armadas e pela Polícia, num processo que teve a participação do agente da CIA, Erick Foronda, e do governo brasileiro.
“Pedimos ajuda para os filhos de Mamani. Eles necessitam de apoio. Recordamos que ainda temos muitos feridos a quem também precisamos apoiar. Queremos justiça para nosso companheiro, para que sua morte não fique impune”, declarou à Rádio Kawsachun Coca uma das presentes ao velório.
MARCHA PACÍFICA
Um dos organizadores dos atos de solidariedade, Juan Fernandez, recordou daquela sexta-feira, 15 de novembro: “vínhamos, milhares, numa marcha pacífica rumo a Cochabamba, quando fomos barrados na ponte Huayllani, em Sakaba, impedidos de seguir com as nossas Wiphalas [bandeiras da identidade e da autoestima dos povos indígenas]. Os policiais nos disseram: esperem, pois em meia hora vão poder passar. Mas logo surgiram quatro ou cinco aviões de guerra para assustar e, do nada, os soldados começaram a atirar bombas de gás dos helicópteros, abriram fogo com os seus fuzis. Não tínhamos com o que nos defender, nem como proteger nossas famílias. Havia crianças. Até o momento, são dez mortos, mais de 200 feridos (80% à bala) e nove companheiros continuam presos, sendo humilhados diariamente”.
Passados quase sete meses da agressão, as investigações do Ministério Público continuam paralisadas, os inocentes permanecem sem respaldo e os criminosos impunes, em que pese a pressão da sociedade boliviana e os incontáveis pedidos de organismos internacionais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

Post Ads