Fernandez e Cristina convocam argentinos a defender a Pátria e enterrar o neoliberalismo - ComunicaSul - Comunicação Colaborativa

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25/10/2019

Fernandez e Cristina convocam argentinos a defender a Pátria e enterrar o neoliberalismo


Mais do que uma palavra de ordem, o compromisso de “Voltaremos” tomou conta da orla de Mar del Plata no final da tarde desta quinta-feira no encerramento da campanha peronista na Argentina

ComunicaSul *

Mar del Plata/ Argentina 


Mais do que uma palavra de ordem, o compromisso de “Voltaremos” tomou conta da orla de Mar del Plata no final da tarde desta quinta-feira no encerramento da campanha peronista na Argentina.
Diante de uma multidão de mais de 50 mil pessoas, homens, mulheres, jovens e crianças que faziam tremular bem alto a bandeira da Pátria, Alberto Fernández e Cristina Kirchner, candidatos a presidente e vice-presidente da República amplamente favoritos às eleições do próximo domingo, convocavam a todos para a arrancada final.
Acompanhados dos deputados federais Axel Kicillof e Fernanda Raverta, Cristina lembrou as votações contra os direitos dos trabalhadores na gestão de Macri, em que “não sucumbiram ao canto da sereia e votaram contra a reforma da Previdência para retirar dinheiro dos aposentados e pagar os fundos abutres”. “Os dois não levantaram suas mãos para votar a favor das demissões”, “uma lei que vai gerar mais miséria e pobreza”.
Candidatos a governador da província de Buenos Aires e
a prefeita de Mar del Plata, Axel e Fernanda chegam precisamente com o compromisso de virar a página de devastação herdada pelos privatizados.
Alberto Fernández e Cristina Kirchner:  compromisso com a Pátria. Foto: Elineudo Meira (Choquito) - ComunicaSul
“Fernanda e Axel disseram que não se deveria submeter o país para pagar os fundos abutres, pois isso não iria trazer investimento, mas ao contrário. Disseram que não tinha que tirar recursos do país para pagá-los, porque isso seria inútil. Nós sempre pagamos as dívidas que os outros contraíram”, frisou a ex-presidente.
Cristina lembrou que “tem nome e sobrenome os que elevaram as tarifas dos serviços públicos que oneraram o bolso dos trabalhadores para encher o bolso dos empresários amigos do mandatário [de Macri]”. Diante das vaias e protestos da multidão endereçados ao atual presidente, ela ressaltou: “gritos e assovios não vão resolver nada, é preciso votar”.

RECONSTRUIR O SALÁRIO E AS APOSENTADORIAS

Vestindo um poncho com o azul argentino, Cristina fez um resgate do papel não só da unidade e da mobilização para a retirar o país do buraco em que foi jogado, como da liderança. “Alberto não foi deputado nacional. Ele foi chefe de gabinete do governo que reestruturou a dívida externa, de quem pagou a dívida que tínhamos desde 1957 com o Fundo Monetário. Ele foi chefe de gabinete de um governo que começou a reconstruir o salário e as aposentadorias de todos os aposentados. Por isso, esse não é um encerramento de campanha de um candidato que vem dizer qualquer coisa, desde que votem nele”, assinalou.
“Nós estamos aqui e somos homens e mulheres que temos convicção e pensamos que a pátria não é uma construção simbólica e sim cotidiana. Homens e mulheres que acreditamos que o papel do Estado é nivelador das diferenças. Hoje em Mar del Plata não estamos encerrando uma campanha eleitoral, mas um ciclo histórico e para que nunca mais a pátria volte a cair nas mãos do neoliberalismo”, destacou Cristina, ao que dezenas de milhares respondem “Nunca mais, nunca mais”.
Neste momento e desta forma, Cristina anunciou “o próximo presidente da Argentina: Alberto Fernández”. Ao que a massa respondeu: “Se sente, se sente, Alberto presidente!”.

UNIDADE E MOBILIZAÇÃO

“Estou muito feliz. Vamos colocar a Argentina de pé de novo, como é preciso. Acreditem em mim”, afirmou Alberto, lembrando que abraçou a militância desde os 14 anos e que, portanto, esta “não é uma experiência qualquer para mim”. Citando “momentos únicos” na sua memória citou “o dia em que cruzei com Néstor e o que me reencontrei com Cristina”. “Chegou um momento em que Cristina me disse: ‘é a sua vez’. E eu respondi: ‘obrigado pela confiança’. E militante que sou, deixei de apenas operar pela unidade e assumi a condução do processo. Pedi a ela: façamos juntos e demonstremos que o melhor time da Argentina é o nosso”, declarou, sob aplausos.

Famílias inteiras se somaram no encerramento da campanha peronista. Foto: Elineudo Meira (Choquito) ComunicaSUL
Alberto ressaltou que “se algo fizemos juntos Néstor, Cristina e eu foi levantarmos a bandeira do melhor progressismo” e ser amplos, somando companheiros do peronismo com outros que não eram peronistas, radicais e socialistas. “Construirmos uma força que nos deu a vitória em 2003 e que nos deu a vitória de 2011”.
Afinal, apontou o candidato, o essencial é dar respostas aos trabalhadores, que acabaram vendo seus salários caírem em termos reais cerca de 20%, sem empregos e direitos; vendo as aposentadorias arrochadas. “Isso aconteceu com um governo que não teve nenhum pudor em encher o bolso dos bancos para que eles se enriquecessem enquanto toda a Argentina empobrecia”, condenou.
“Vimos, dissemos, pedimos que não fizessem e fizeram. Nós sabemos a que interesses representamos. Eles representam interesses que beneficiam os poderosos. Nós, entre os aposentados e os bancos, escolhemos os aposentados, entre a educação pública e os bancos, escolhemos a educação pública, entre os que trabalham e os que especulam, escolhemos os que trabalham. Queremos que a Argentina volte a crescer”, sublinhou o candidato peronista.

A ARGENTINA DE PÉ, NUNCA DE JOELHOS

Ao lado de Cristina, Alberto olhou a multidão e pediu que, no encerramento desta campanha, no domingo, votem para “virar a página e voltar a colocar a Argentina no lugar do qual nunca deveria ter saído. Uma Argentina digna, não de joelhos, de pé, que respeita os homens e mulheres que trabalham, que respeita os que produzem, ensinam, que curam”.

“Desde o primeiro dia, nós vamos nos ocupar de tirar do lugar em que estão os 5 milhões de pobres que Macri deixou. E vamos fazer isso com o compromisso ético com o qual nascemos. Para sermos a voz dos que não têm voz, dos desfavorecidos, para abraçar os que menos têm. Como dizia Raúl Alfonsín [presidente argentino de 1983-1989], vamos aplicar a ética da solidariedade, vamos estender as mãos solidariamente àqueles que caíram no poço para que voltem à sociedade”, ponderou o candidato peronista, resgatando o papel daquele que reunificou o país contra a ditadura. E deixando claro como deve ser o sentimento de unidade, ponderou: “Vamos convocar todas e todos os argentinos os que não acreditaram em nós, vamos pedir que nos acompanhem, não vamos perguntar de onde vêm. Vamos perguntar se querem ir para o mesmo lugar que nós. E se esses argentinos querem uma Argentina justa, solidária, com emprego, com educação pública, com saúde pública. Vamos abraçá-los, agregá-los, e façamos uma Argentina como todos nós merecemos”. “E para que a Argentina finalmente se converta em uma realidade, peço um favor porque muitos em Buenos Aires fizeram tudo ao contrário do que diziam do que iam fazer. Um montão de prefeitos que todos esses anos parece que se esqueceram do que fizeram e de quem apoiaram e agora dizem: reparta seu voto e vote em mim [vote contra Macri, mas vote em mim]. Em Buenos Aires, vamos dizer todos juntos, domingo, chapa completa e para dentro da urna”. “Para dentro”, respondeu a multidão.


* Redação: Caio Teixeira, Felipe Bianchi, Leonardo Wexell Severo, Rafael Duarte e Vanessa Silva. Fotos: Elineudo Meira-Choquito

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