Central de Trabalhadores da Argentina denuncia “fome no inferno macrista” - ComunicaSul - Comunicação Colaborativa

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18/09/2019

Central de Trabalhadores da Argentina denuncia “fome no inferno macrista”

Argentinos têm tomado as ruas contra a política entreguista de Macri
Em seu artigo, Nicolas Honigesz, diretor de Imprensa da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA-A) – Capital, denuncia que a “política de Macri está causando uma catástrofe social” na qual “um milhão e trezentos mil menores de 17 anos passam fome”. Originalmente intitulado “A Argentina da fome", faz uma importante radiografia do caos.
NICOLAS HONIGESZ

Semanas antes das eleições presidenciais e em meio a uma das maiores crises econômicas e sociais da Argentina, a Câmara de Deputados da nação aprovou em primeiro turno o Projeto de Lei de Emergência Alimentar, impulsionado pela oposição. Agora a Lei se encontra nas mãos do Senado, e uma vez aprovada permitiria modificar o orçamento para destiná-lo a planos alimentícios e à assistência social.
Num cenário de grande conflito social, o conjunto dos trabalhadores e das organizações sociais são protagonistas, diariamente nas ruas, reivindicando para sair da pobreza e exigindo comida.
A política de Macri está causando uma catástrofe social. Um milhão e trezentos mil menores de 17 anos passam fome. Mais de quatro milhões passaram a ser pobres durante estes anos de inferno macrista e a pobreza chega a 40% da população, e afeta a quase 14 milhões de argentinos.
Os lugares construídos pelas entidades populares para distribuir comida nos bairros humildes e operários não são suficientes para satisfazer a demanda das famílias que buscam uma porção de alimentos. 
A entrega da soberania econômica nas mãos dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI), condiciona uma vez mais a vida do conjunto da sociedade, como fez a crise de 2001, a última ditadura militar e a década dos 90. A dolarização das tarifas de serviços essenciais, em meio à pesificação e congelamento dos salários, somada a 248% de inflação nos últimos três anos e meio, fizeram com que milhões de argentinos caíssem na pobreza. O FMI desembolsou o empréstimo mais elevado desde a sua fundação e a Argentina se endividou com o maior montante de sua história, hipotecando o futuro de gerações. US$ 57 bilhões de 2018 a 2020 e a fuga de capitais até o momento é de US$ 60 bilhões de dólares!
Os setores mais afetados são os aposentados e as crianças; 80% dos trabalhadores inativos com sua aposentadoria não alcançam sequer 50% da cesta básica de alimentos. O aumento médio de 340% nos medicamentos é o exemplo do genocídio silencioso desta etapa macrista na Argentina. O cálculo estima que 50% das crianças menores de 17 anos são pobres.
Desde o primeiro dia em que assumiu, o governo de Macri pôs em marcha uma onda de demissões massivas no Estado Nacional, Provincial e Municipal, que elevou à perda de quase 40 mil postos de trabalho, e pôs em marcha a eliminação de programas essenciais, destinados aos setores mais necessitados. Da mesma forma, houve um desinvestimento em organismos chaves para o desenvolvimento industrial e patrimônio da Soberania Nacional.  Exemplo disso foram as demissões e a demolição no Instituto Nacional de Tecnologia Industrial; como também na Secretaria de Agricultura Familiar e a entrega  da soberania dos satélites para os monopólios norte-americanos, desanimando a produção nacional, como foi o projeto ARSAT I e II, até as tentativas da Planta Industrial de Água Pesada (PIAP) e o conglomerado industrial do setor nuclear, a Jazida Carbonífera Rio Turbio, o Estaleiro do Rio Santiago e as Fábricas Militares. Estes são alguns dos elementos que põem em evidência a implementação das políticas neoliberais ajustadas à demanda da burguesia intermediária e aos banqueiros internacionais.
A destruição do aparato produtivo levou consigo ao fechamento de mais de 15.424 pequenas e médias empresas, de menos de 100 trabalhadores, desde 2015. O desequilíbrio dos custos empresariais pelo aumento das tarifas foi um dos principais problemas para sustentar o nível de atividade. A redução na quantidade das empresas acompanha o aumento do custo de serviços. A partir de dezembro de 2015 até abril de 2019, o índice que mede as elevações da fatura de eletricidade (descontada a inflação) passou de 100 a 1.148% e a de gás de 100 a 1.442%. Em muitas empresas que produzem para o mercado interno a simples manutenção se tornou impossível diante de semelhante impacto na sua estrutura de custos.
Em relação à Educação, em 2016 o governo de Macri decidiu eliminar a Paritária Nacional [que garante 6% do investimento do Produto Interno Bruto em Educação, Ciência e Tecnologia] e, desde então, o salário real dos docentes despencou 44%, deixando os educadores que iniciam sua atividade abaixo da linha da pobreza. O investimento e o financiamento caíram mais de um terço na participação do orçamento nacional. Em 2016 o investimento era de 7,8 % e em 2019 é de 4,7%. O financiamento da Educação caiu 17%. O sistema educativo atravessa uma emergência em sua estrutura e a atenção está posta nele, como numa escola de subúrbio de Buenos Aires onde morreram dois professores por causa da explosão de um tubo de gás, enquanto preparavam alimentos para as crianças. Ao mesmo tempo, o corte de verbas para a construção e manutenção é de 77 %, em comparação a 2018.
RESISTÊNCIA POPULAR E ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
Em 11 de agosto ocorreu a primeira batalha eleitoral nas urnas. A fórmula Alberto Fernández-Cristina Fernández de Kirchner se impôs em 23 das 24 províncias, com 49,9% dos votos; enquanto que a fórmula Mauricio Macri- Miguel Angel Picheto obteve 32,93%. As PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias) puseram em evidência que as lutas e demandas da classe trabalhadora organizada, assim como das organizações sociais, não eram uma demanda setorial, mas representativa de todo o conjunto da sociedade.
A surra em Macri nesta primeira batalha eleitoral é um triunfo do povo e um duro golpe no presidente, bancos, monopólios e latifundiários que controlam o poder, e a seus padrinhos: Trump e o Fundo Monetário Internacional (FMI), entre outros. Este triunfo criou melhores condições para a luta operária e popular. A briga segue. Macri anunciou que seguirá com sua politica. Ele deixou que o dólar subisse até $60 (o que provocará mais inflação) e caísse em até 65% o valor das ações das empresas argentinas no estrangeiro. Uma situação se abriu e ninguém sabe como isso vai acabar.
Macri pretende responsabilizar a Frente de Todos pela escalada do dólar e deixar os banqueiros e usurários enlamearem o campo, para se apresentar como salvador: “Macri ou o caos”, e tentar virar o resultado nas eleições do próximo 27 de outubro.
Tradução de Leonardo Severo. Publicado originalmente no www.horadopovo.com.br
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